Neste artigo, chamo a atenção para as trilhas e caminhos que conectam e permeiam o território mura e pirahã e destaco aspectos - obliterados na literatura especializada - de relacionalidades multiespecíficas impressas nas paisagens, que os Mura acionam mais recentemente em suas lutas, sendo uma delas a retomada da língua mura. Inicio focalizando o fosso que separou os Mura dos Pirahã, abismo construído por políticas indigenistas, divisor baseado na apreensão que diferentes experiências de contato desses coletivos foram suficientes para afastá-los. As classificações do indigenismo, baseadas na diferenciação linguística, cultural e no processo de etnificação são revistas, para o que retomo a crítica à noção de aculturação construída por Peter Gow. A atenção aos regimes multiespecíficos de relações com plantas, animais e a atenção para a presença dos mortos que participam da construção da floresta sugere pensarmos tais coletivos indígenas enquanto conjuntos, já que se reportam a experiências de relacionalidades antigas e atuais, e se entendem como constituindo uma rede de trocas que deixa vestígios nas paisagens.
Histórias emaranhadas, arquivos subterrâneos: relações multiespécies nas paisagens do baixo rio Madeira
Published 2023 in Cadernos de Campo (São Paulo - 1991)
ABSTRACT
PUBLICATION RECORD
- Publication year
2023
- Venue
Cadernos de Campo (São Paulo - 1991)
- Publication date
2023-12-22
- Fields of study
Not labeled
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